terça-feira, 20 de outubro de 2009

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Alienação


Sabe-se desta tal de vida.
Alguém já comentou, tenho certeza.
Só que não entendi ainda
onde coloco a planta dos meus pés.





Ães


Vem de lá daquele lugar escondido
É.
Daquele mesmo.
Até pronunciei para mamãe uma vez, mas ela achou feio.
[Existem palavras que dão medo nas mães – ou talvez as mães que
dão medo]
A minha até que não. Só não soube ainda escutar minhas palavras que dão medo.
Mas medo só em mim.
As mães são fortes. As mães não têm medo.
Eu tenho.







Desenhonhinhos



Eu realmente não sei escrever.
Mas é tão engraçado isso!
Sabe aquele barulho da ponta do lápis no papel? (eu prefiro os lápis sempre)
Então! Esse barulho faz minha mão voar na base branca e riscar uns desenhos estranhos, quase palavras.




Não tem mais


Tinha uma moça que tinha uns anos grandões e tinha agonia de ter tantos dias e tinha ânsia de ter tantas coisas e tinha medo de ter medo das coisas quando tinha que pensar que tinha que fazer o mundo que tinha em mente já estar feito em meio ao que tinha deixado para trás do que tinha planejado enquanto tinha sonhos dentro do que tinha dentro do que tinha na ponta dos pés ao lado do que tinha no canto que tinha o ponto onde tinha parado.







Confissão

Eu juro dizer a verdade:
−Sou Anarina do Bandeira que fugiu para viver de brisa.






A primeira vez

...mas não conseguia dormir. A pequena ficou sentada, meio corcunda, pensando na dor fina que a cabeça a fazia sentir e nas horas mastigadas que traziam o domingo.
Foi na madrugada o início das palavras...






Síndrome macabeana

Eu acho que sou invejosa.
Sou péssima por isso, eu sei.
Mas sinto um montão de inveja.
Eu não sei cantar.
Eu não sei dançar.
Eu não sei fazer humor.
Eu não sei fazer.
Eu não sei escrever.
Eu não sei admirar.
Eu não sei tentar.
Eu não sei conseguir nem desistir.
Eu não sei, já sei.
Tem comprimido para não saber?



Meus inúteis poemas úteis À EU!
Ana Paula Caixeta

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