sábado, 10 de julho de 2010

O título

Uma amiga me perguntou, certo dia, sobre o nome do blogue*. Disse que eu deveria, pelo título, escrever somente coisas relacionadas à literatura de fato. Respondi com toda minha ignorância no assunto que a escolha do título é pertinente a toda e qualquer palavra. Literatura é a palavra. Aqui tem a minha palavra, a minha literatura. Não são crônicas nem contos nem poemas nem análises nem pensamentos. São palavras. As palavras que me pertencem por segundos e depois desaparecem em meus devaneios. Não há importância nisso aqui. Não há importância em minhas palavras. O mérito está na sobrevivência: a minha se resume numa angústia de palavras e rabiscos. É uma algo que me faz refletir, chorar, buscar ou expelir. Um modo bem particular.

Não há leitores para esse blogue, muitos menos para minhas angústias. É uma produção extremamente narcisista. Sem seguidores, sem aplausos, sem benefícios. Não quero retorno. Quero escrever.



*escrevo do meu jeito

Hoje na tevê

Estive pensando sobre jogar carne humana aos cachorros e me indaguei sobre nossa importância como humanos. É estranho olhar as pessoas e não vê-las como seres portadores de sentimentos e palavras. Ah! Novamente as palavras. Temos esse diferencial e nos atrapalhamos com ele.

As pessoas estão comovidas com o caso de Eliza. Uma dessas pessoas talvez fará o mesmo amanhã. As ações humanas não são previstas pelo polvo. A crueldade é compactada em cada um e cabe uma ação individual de deixá-la ou não explodir. A crueldade de fato existe.

Eu queria ficar mais tempo dizendo ao meu filho a importância do ser humano; respeitar, conviver, apoiar, amar. Infelizmente a tevê me desmente e quando eu termino de lhe falar sobre humanidade, alguém é noticiado como carne jogada a cachorros.

Meu filho já me pediu um cachorro. Como moro com meus pais, eles não aceitaram o animal. Os cachorros são obedientes e podem ser adestrados. Os humanos podem ser adestrados, mas são desobedientes. Qual seria nosso instinto animal principal? Dinheiro? Transformar isso num instinto não faz muito sentido, mas é confirmado o ímã nele contido e a legião unificada que o persegue.